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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Biologia da libertação e Linguagem dos animais, agora no Google livros

Os livros Biologia da libertação e A linguagem dos animais, de Beto Vianna, estão agora disponíveis pra consulta no Google livros, uma bela ferramenta de busca, ou pelo menos incontornável, nesses dias de submissão (ainda) quase total da internautolândia ao Google. Pelo sim, pelo não, vai a sinopse de cada um.

Biologia da libertação: ciência, diversidade e responsabilidade (Belo Horizonte: Mazza, 2008)

O Biologia tem a participação de vários autores de que gosto particularmente - 19, no total, de 7 países diferentes - discutindo as muitas faces do biológico: os modos de descrever e as relações que estabelecemos com os objetos naturais. O livro republica as duas únicas edições do Caderno de Filosofia & Ciência do jornal Cometa Itabirano, mais 6 artigos inéditos. Parafraseando a orelha, "mais coisas rastejando na terra e voando no céu do que sonham os programas genéticos e os fatores ambientais". O livro comemorou, ainda, os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e os 150 anos da publicação de A origem das espécies.

Pra ver o Biologia no Google livros, clique aqui
Outras informações, e onde comprar: http://www.biolinguagem.com/livros.html       


A linguagem dos animais & outros escritos (Belo Horizonte: Mazza, 2008)

O Linguagem reúne 40 artigos de Beto Vianna (um co-autorado por Alexandre Pimentel) publicados nos jornais O Tempo e O Cometa Itabirano entre 2002 e 2009. O livro está organizado em seis capítulos temáticos: Lingua-linguagem; Darwinianas; Política com ciência; Do 25 de abril ao 26 de Julio; Povos do Livro; e Nigerianas. Comum a todos os temas, a afirmação da diversidade nas culturas humanas e não-humanas e da linguagem como o espaço de sua realização. Os textos abordam questões de ciência, arte e vivências do autor, sempre na reflexão política. As ilustrações são de Tá Morelo e o prefácio de Mario Drumond.

Pra ver o Linguagem no Google livros, clique aqui.
Outras informações, e onde comprar, http://www.biolinguagem.com/livros.html

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Lançamento - A linguagem dos animais

Lançamento do livro A linguagem dos animais & outros escritos. Quinta, 29 de abril às 19 horas, na Quixote Livraria e Café. O livro reúne 40 artigos de Beto Vianna publicados nos jornais O Tempo e O Cometa Itabirano entre agosto de 2002 e novembro de 2009, um com a participação de Alexandre Pimentel.

BAIXA o convite AQUI

Ficha
título: A linguagem dos animais e outros escritos
autor: Beto Vianna
ilustração: Tá Morelo
editora: Mazza Edições
ano: 2010
no. páginas: 184 pp
preço no lançamento: R$25

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

A linguagem dos animais

“A linguagem dos animais” é o nome de um belo conto de As mil e uma noites, de outro ainda nas Fábulas Italianas, do cubano Ítalo Calvino, e o princípio organizador do próprio gênero “fábula” no ocidente, de Esopo a La Fontaine. Da arte à pretensa realidade, vemos o cientista como um legislador austero, torcendo o nariz para o maior de todos o pecados, o antropomorfismo, isto é, a atribuição de características humanas a outros seres animados e inanimados: o boi contente, a roseira apaixonada, o mar impiedoso. Mas peca-se tanto por excesso quanto por escassez. O reverso da medalha é o antropocentrismo, a insistência de que a humanidade é a estrela mais brilhante na constelação dos seres do universo. Muitas pesquisas com a utilização da linguagem humana por outros animais têm obtido resultados importantes e contrários a essa idéia fixa. A gorila Koko com a linguagem de sinais, passando por golfinhos que manipulam estruturas gramaticais, até o papagaio africano Alex que, ao que consta, não apenas repete mas entende a piada.
Afinal, os animais têm linguagem? O “não” usual a essa pergunta reflete a certeza de que linguagem é o sistema de símbolos e estratégias discursivas tão habilmente manejado por nós nos bares, almoços de família e chats da internet. Mas há mais na linguagem do que ruge a filosofia ocidental. Há uns 40 anos o antropólogo Gregory Bateson nos deu a seguinte dica: se o seu gatinho mia, a melhor tradução não é “leite! leite!”, apesar de geralmente você estar absolutamente correto em interpretar assim. O bichano está dizendo algo como “dependência! dependência!”, ou seja, ele está se referindo à relação estabelecida com o dono. Isso não é nenhuma fábula de Esopo, mas um processo largamente disseminado entre os mamíferos, animais que são cuidados e ensinados, muitas vezes pela mãe mas, a rigor, por qualquer membro mais velho da comunidade.
Aqui estou eu utilizando a respeitável fórmula de falar sobre um assunto científico (ou literário?) - a linguagem dos animais - mas apenas porque esse conjunto de símbolos que apontam para um objeto é o único instrumento que eu, sendo humano, tenho para negociar a aceitação, a confiança, e talvez até o apreço de meus interlocutores. E isso é mamífero, demasiado mamífero.
Beto Vianna, Jornal O Tempo, 21/06/05